Meio ambiente
A sua igreja é multiplicadora de consciência ambiental?
A sua igreja é multiplicadora de consciência ambiental?
Autor: Vinicius Silva de Lima
Fonte: http://www.pendaoreal.com.br/html/noti_boas.php?cod=43
A sociedade e o mundo como um todo atravessam uma importante crise ecológica que se manifesta nas diferentes formas de agressão à natureza bem como nos incontáveis problemas sociais. Mais do que nunca, iniciativas de cunho sócio-ambiental são necessárias para superar essa crise.
Hoje em dia, é muito comum usar a expressão “multiplicador” para designar pessoas ou grupos que participam de um processo de formação em alguma área e que assumem o desafio de repassar o que aprendeu para outros. Então, ser um multiplicador de consciência ambiental significa influenciar positivamente outras pessoas a agirem ecologicamente, incentivando-as, por sua vez, a sensibilizar outras pessoas. Forma-se, portanto, uma cadeia de ações sócio-ambientais.
Nesse sentido, a igreja – cooperadora na implantação do reino de Deus no mundo – tem um papel multiplicador de conscientização ambiental, tanto para seus membros como para a comunidade onde está inserida. É bom lembrar que todo trabalho realizado em uma localidade impacta mesmo as comunidades mais distantes: num mundo globalizado e informatizado, uma ação pode gerar uma reação em qualquer lugar do globo. Um exemplo disso é a mobilização veiculada pela internet que estimula o uso de sacolas de pano no lugar de sacolas plásticas.
Há várias iniciativas que a igreja pode promover como multiplicadora. Primeiramente, ela deve estabelecer práticas ecológicas dentro da própria igreja. Isso significa que todo agente multiplicador tem a responsabilidade de ser exemplo naquilo que deseja fomentar.
Além disso, mais do que revelar conhecimento sobre o meio ambiente, a igreja deve formar uma nova postura diante da natureza: entender o ser humano em nível de paridade com o resto da criação, isto é, perceber Deus como criador e a vida, em todas as suas formas (ser humano e natureza), como criação. Diante dessa relação de igualdade, não pode haver o domínio de um ser humano sobre outro e nem deste sobre a natureza.
Outra iniciativa da igreja é o estímulo de ações que promovam a sustentabilidade da vida humana em um meio que glorifique a Deus e seja marcado pela justiça social e pela qualidade ambiental. Assim, a comunidade cristã é agente de uma ética que contempla a cooperação ao invés da competição, a interdependência ao invés do individualismo, o cuidado ao invés da violência, a ação construtiva ao invés da indiferença e a esperança ao invés do pessimismo. E ainda pode ser testemunha da fé em Cristo.
A igreja como multiplicadora da consciência ambiental
Há muitas maneiras de promover a consciência ambiental a partir da igreja local. Em cada realidade, podem ser aplicadas ações relevantes que mobilizem os membros e a comunidade adjacente para essa questão - com certeza, a criatividade do ser humano é um dom de Deus que deve ser explorado.
Algumas sugestões:
- Trabalhar o tema “Fé e Ecologia” nas classes de Escola Dominical;
- Usar folha de papel reciclado para boletins e informativos da igreja;
- Incentivar o uso de copos de vidro, canecas e garrafinhas plásticas, reduzindo, gradativamente, o uso de descartáveis na igreja;
- Disponibilizar, nas dependências da igreja, recipientes para separação de lixo seco (cor verde) e orgânico (cor marrom);
- Fazer campanhas permanentes de coleta de material reciclado – como folha de papel, garrafas pet, plásticos, metal e vidro - e enviar para uma cooperativa de recicladores local;
- Organizar um centro de coleta de pilhas e lâmpadas – veja com o departamento municipal responsável pelo meio ambiente o melhor destino para esse material;
- Ornamentar o templo e arredores com plantas e material reciclado;
- Promover passeatas, fóruns, debates, encontros e palestras para a conscientização dos membros da igreja e convidar a comunidade para participar;
- Organizar passeios que observem ambientes degradados e preservados, a biodiversidade local e ações voltadas tanto para a preservação do meio como para a interação com ele;
- Desenvolver atividades de educação ambiental nas escolas através de teatro, artesanato, música, plantio de árvores, formação de horta, etc.
É importante destacar, ainda, que muitas ações multiplicadoras de consciência ambiental já estão sendo feitas em comunidades cristãs e podem estimular outras igrejas a se engajarem nessa missão. Como exemplo, podemos citar duas iniciativas da IPI do Brasil: a sacola ecológica promovida pela Revista Alvorada – feita com material reciclado, estimula a reduzir o uso de sacolas plásticas nas compras em supermercados e armazéns; e a organização do centro Asa-Vida, em Avaré, SP, (Acampamento Cristo é Vida), que, com um amplo espaço de vegetação preservada, fornece condições para vários trabalhos de educação eco-teológica.
Outro exemplo que merece ser destacado é o grupo A Rocha Brasil (www.arocha.org). Por ser uma organização não governamental cristã que atua em favor do meio ambiente, ela promove várias ações pró-ecologia de impacto nacional. Em março desse ano, essa organização lançou, junto com a revista Ultimato, um encarte com uma proposta de educação ambiental para as igrejas – os estudos bíblicos foram escritos pelo Rev. Timóteo Carriker. Esse mesmo material foi adaptado e será publicado na Revista Vivendo a Fé 12 da Secretaria de Educação Cristã da IPI do Brasil, para classes de adultos e jovens. Vale a pena conferir!
Ainda, um trabalho específico em meio ambiente está sendo feito através do programa Reação da Igreja Metodista Livre (www.reacao-blog.blogspot.com). A partir da igreja local são realizadas várias atividades que promovem a consciência ambiental: dia de coleta seletiva, dia da sucata eletrônica, oficinas de aproveitamento de óleo de cozinha, uso de sacolas de pano e de canecas reutilizáveis e Semana de Teologia e Meio Ambiente, entre outros.
Nota-se, finalmente, que a igreja pode contribuir (e muito!) para suprir a necessidade de multiplicadores de consciência ambiental. Para aqueles que aceitarem o desafio, existem muitas iniciativas motivadoras. Agora, é uma questão de continuar o que foi iniciado ou de dar o primeiro passo.
O Rev. Vinicius, pastor e missionário da IPI do Brasil, em Viamão, RS, é agrônomo e trabalha com educação ambiental desde 2002.
Muito legaaal! :D
ResponderExcluirÉ de extrema importância que a igreja evangélica tenha iniciativas verdes!
Deus abençoe vcs!
abraços! =]
Diogo, sou estudante de teologia do ultimo ano e estou querendo fazer minha monografia sobre igrejas sustentaveis. Se voce puder me enviar algumas bibliografias utilizadas no seu trabalho, agradeço. Aqui no Rio, nao conheço nenhuma igreja que tenha ou trabalhe com projetos nesta area.
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